Hoje na aula prática de Anatomia iríamos pela primeira vez mexer com os cadáveres. Muitos ficam animados, outros ficam com nojo e outros não sabem direito o que pensar. Eu, particularmente, estava curiosa.
Estamos estudando músculos. Minha
Primeiro vimos a localização nos bonecos de plástico (o que foi difícil, já que meus companheiros de equipe ficavam fazendo piadinhas enquanto eu tentava achar as coisas e eu acabava tendo que tentar controlar o riso também) e depois fomos para a sala ao lado, onde estavam os corpos.
Na verdade, não estava o corpo todo - afinal, por enquanto só estamos estudando os músculos da cabeça (você tem mais músculos do que imagina, acredite). Só estavam algumas cabeças por lá, digo, metade de cabeças, meio destrinçadas, já que tínhamos que ver os músculos - não que dê para ver muita coisa, já que é tudo muito parecido, difícil de distinguir.
Mas é bizarro, mesmo que nem pareça uma cabeça de verdade - parece mais algo feito de borracha.
Eu tento não pensar, essa que é a verdade. É estranho você pensar que aquilo já fez parte de uma pessoa, que aquela pessoa respirou, correu, sorriu, chorou, enfim, era um ser humano, e agora está desmembrada, com um monte de alfinetes numerados espetados em uma das metades da sua cabeça que está sobre uma bancada com alunos em seus jalecos brancos ao redor, tentando ver o que é o que naquele rosto desconhecido (ou simplesmente fazendo piadinhas e colocando o dedo na orelha dele, claro).
Tem um texto que gostei muito sobre isso, que minha professora mostrou para nós na primeira aula de Anatomia:
"Ao te curvares com a rígida lâmina de teu bisturi sobre o cadáver desconhecido, lembra-te que este corpo nasceu do amor de duas almas, cresceu embalado pela fé e pela esperança daquela que em seu seio o agasalhou. Sorriu e sonhou os mesmos sonhos das crianças e dos jovens. Por certo amou e foi amado, esperou e acalentou um amanhã feliz e sentiu saudades dos outros que partiram. Agora jaz na fria lousa, sem que por ele se tivesse derramado uma lágrima sequer, sem que tivesse uma só prece. Seu nome, só Deus sabe. Mas o destino inexorável deu-lhe opoder e a grandeza de servir à humanidade. A humanidade que por ele passou indiferente"
(Rokitansky, 1876)
Mas, sinceridade? O que me incomoda de verdade nem é isso - é estranho e tudo mais, mas, bom, é para o bem da ciência (não, não acho que esse argumento justifique algo de verdade). Eles morreram e agora estão me ajudando a estudar, então, obrigado pessoas-que-morreram-e-foram-parar-no-laboratório-de-Anatomia.
O que me incomoda é o maldito cheiro de formol! Só quem já sentiu sabe como é, não tem como descrever. É horrível, é estranho e me deixa enjoada. Muito enjoada.
Blé!
P.S.: Caramba, eu postei de verdade? Estou pasma comigo.
x
7 comentários:
Não há NADA que me agrade na idéia de mexer com corpos humanos. Tudo bem que eu tô louca pra chegar na matéria de medicina legal *-* Mas ainda assim...era uma pessoa ali. É bizarro!
E formol deixa qualquer um meio grogue!
;*
Caramba. E eu morrendo de medo quando raspo o pé na mesa e dói.
besçervassão:
cOmÊnTeEeEei nU sEoW bLÓgUxUu AmOuUuR
NOSSA VOCÊ POSTOU DE VERDADE! VOCÊ SABE ESCREVER!
To chocada.
Eu também não sou muito fã dessa coisa de mexer em cadáveres, mas quando é necessário eu faço exumações e dissecações em problemas, mas não sinto o menor prazer nisso. É estranho pensar que no fundo somos um amontoado de carne, mas com sentimentos, que talvez é o que nos torna mais complexos, a forma de demonstrar os sentimentos, a forma de pensar, e a de agir. Mas a fundo os sentimentos, só isso nos faz passar de um monte de carne e ossos para seres humanos, racionais, emotivos que podem sentir dor, frio, calor, amor.
Uma vez eu inalei formol involuntariamente e lesei meu sistema respiratório o suficiente para ficar internado fazendo inalaçao por dois dias. Formol é perigoso.
hashuahsa
Super acertou o dia porque acabei de postar \o/
Tava mó enrolation, mas agora, de volta à ativa o/
Aaah, adorei a historia do Bio Stabil =x
E desisti da Medicina por causa dos cadáveres x__x
Ahhh, eu nem me importo, são cadáveres, já morreram mesmo. Triste seria arrancar a cabeça de alguém vivo!
E eu morro de vontade de pegar em tendões... sério!
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